Tarcisio Cavalcante
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Nossa estratégia para entrar na universidade pelo Sisu

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Eu nunca fiz o Enem. Nem sabia como funcionava o Sisu. Mas minha filha acabou de concluir o Ensino Médio, fez o Enem no ano passado e foi classificada pelo Sisu para o curso de Licenciatura em História na Universidade Federal do Tocantins. Eeeeeeee! \o/

Eu acompanhei a inscrição e ela me ensinou como funcionava o ingresso na universidade pelo Sisu. Entendi como funcionava e fiquei maravilhado com a possibilidade de ingressar numa universidade pública com a nota do Enem, sem prestar um vestibular único para uma universidade só com geralmente duas opções exclusivas de curso.

Basta a nota do Enem e você tem chances reais de ingressar na universidade. Com o Sisu e uma única prova (o Enem) você tem basicamente todos os cursos de todas as universidades públicas brasileiras à escolha.

Vou dar uma de velho aqui, mas na minha época não era assim…

Ok, minha filha não foi uma grande colocada no Enem. Não tirou uma maravilhosa nota, daquelas que garantem uma boa posição num curso de medicina na USP, mas o Sisu lhe deu essa chance, como a todos os que prestaram o Enem.

Como funciona

Resumidamente, com a sua nota do Enem, você se cadastra no site do Sisu e escolhe duas opções de curso, que podem ser em qualquer universidade pública brasileira cadastrada no sistema. Nesse primeiro dia, você tem apenas a sua nota do Enem e as vagas de cada curso e não faz ideia da nota de corte para cada curso.

À meia-noite do primeiro dia de inscrição, o Enem atualiza todas as inscrições do dia e, de acordo com o número de vagas e os inscritos no primeiro dia, é divulgada então a primeira nota de corte dos cursos.

Então, por exemplo, um curso que tem 10 vagas e 100 pessoas se inscreveram nesse curso, as 10 maiores notas entre os inscritos estarão dentro da lista dos classificados para este curso, sendo a nota mais baixa (desses 10 maiores) a nota de corte neste momento. Neste momento! Pois durante o período de inscrição, outras pessoas com notas maiores poderão se inscrever e mudar a nota de corte, que será sempre a nota da posição do último colocado entre as 10 vagas oferecidas pelo curso.

A partir do segundo dia, quando você já tem a nota de corte dos cursos, você pode ajustar a sua estratégia, se continua competindo por aquela vaga que deseja, se você tem uma nota acima da nota de corte dela, ou se procura outros cursos e universidades com a nota de corte mais baixa.

A estratégia

Como a nota dela no Enem não era tão boa assim. A maioria dos cursos e universidades do interesse dela na região que ela mora estava com as notas de corte mais altas que a nota dela. Nesse momento, a maioria das pessoas insiste no curso que quer e torce para ficar pelo menos na lista de espera, ou até mesmo desiste e vai focar em estudar mais pro ano que vem.

No segundo dia, escolhemos outras opções de curso e universidade, inclusive em outros estados, onde a nota dela estava acima da nota de corte. Após a meia-noite desse segundo dia, com mais pessoas se inscrevendo, as notas de corte foram subindo e a nota dela ficava abaixo novamente.

No penúltimo dia de inscrição, fizemos o seguinte:

Pelo sistema do Sisu, pesquisamos todos os cursos que ela tinha interesse em fazer. Em todo o Brasil. Criamos uma planilha e anotamos todas as opções em que a nota dela estava acima da nota de corte.

Quando você pesquisa apenas aquele curso naquela universidade perto de casa, ainda mais com uma nota baixa, você começa a desistir de tentar. Quando você vê todas as opções em todo o Brasil, é incrível como a possibilidade de entrar na universidade fica maior.

Então separamos os cursos que ela queria: história, geografia, química, ciências biológicas etc. E anotamos todas as opções em que a nota dela tinha alguma chance.

Um dia de trabalho e criamos uma planilha com mais de 1000 opções de curso, onde colocamos: Universidade, cidade, estado, curso, grau, nº de vagas, tipo de vaga, nota de corte do curso, nota da minha filha e a margem de diferença entre a nota dela e a nota de corte.

Com a planilha, podíamos filtrar o resultado como quiséssemos. E aqui entra a estratégia de escolha do curso com possibilidade real de ingressar na universidade.

Fomos descartando as opções que tinha poucas vagas e que a margem de diferença entre a nota dela e a nota de corte fosse muito pouca, pois era maior a chance de apenas uma pessoa com a nota maior que a dela se inscrever e ela ser cortada da concorrência.

A ideia era: quanto mais vagas e quanto maior a diferença entre a nota de corte e a nota dela, mais chances ela tinha de conseguir aquela vaga. Esse foi o primeiro filtro.

O segundo filtro, após eliminar as opções que ela não teria muitas chances por conta da nota e das vagas, foi escolher o curso e a universidade, e claro, a cidade/estado. Aqui entra uma questão delicada e mais complicada para a maioria dos jovens. Estudar longe de casa? Sair da casa dos pais? Ir para outra cidade, para outro estado? E o dinheiro para bancar tudo isso?

Sim, esse é um ponto que dificulta esse momento, essa escolha. Se colocarmos as contas na mesa, eu também não sou um pai com condições econômicas de sustentar uma jovem estudando em outro estado…

E já tínhamos perdido todas as vagas em qualquer curso na cidade dela ou cidades próximas, mas a planilha nos mostrava grandes chances em vários outros cursos por todo o Brasil. A decisão de mudar para outra cidade para estudar cabe a cada estudante/pai, dentro de suas possibilidades, mas aqui entra o filtro para finalizar a nossa estratégia: escolher um curso ou universidade é fácil, filtrar por chances de acordo com as vagas e a nota de corte também é fácil, até aqui só trabalhamos o desejo (escolha do curso) e matemática.

Minha esposa nos ajudou a pensar sobre essa escolha. Além da escolha do curso (mercado de trabalho, salário, possibilidade de emprego antes da formação, interesse pessoal etc.), pesquisamos o IDH das cidades, universidades com opção de moradia estudantil, a estrutura da cidade, notícias locais… Ajudando a decidir então pela cidade.

Fizemos isso no penúltimo dia e escolhemos os cursos. No último dia de inscrição as notas de corte mudaram, é claro. Em uma das opções, ela continuava dentro, mas bem próximo da nota de corte. Na outra opção a nota de corte já estava maior que a nota dela.

Naquele último dia, revisamos a planilha, filtramos as boas opções e revemos as alterações nas notas de corte. Ela ainda tinha boas chances em várias opções. Mas era o último dia e não podíamos mais arriscar. Filtramos as maiores margens que ainda tinha e fizemos aquele estudo sobre o IDH das cidades e decidimos pelos 2 últimos cursos.

Acabaram as inscrições e é possível ver pelo meu twitter e no Facebook a minha alegria de ver minha filha selecionada para uma vaga numa Universidade Federal.

Ela passou na primeira opção de curso, na última vaga. Sim, a estratégia de buscar um curso onde era maior a diferença entre a nota dela e a nota de corte valeu a pena. Mais pessoas se inscreveram naquele curso no último dia, mas com uma boa margem de diferença, ela continuou entre os classificados.


A escolha pela cidade e nossa estratégia de como vamos cobrir esse investimento é uma questão pessoal e não cabe contar aqui.

Minha filha já é maior de idade. Já não há empecilho legal sobre enfrentar o mundo sozinha. Vai ser uma luta. Mas vai ser maravilhoso. Sem apoio ou insistimento dos meus pais, estou no alto de meus 37 anos finalmente terminando uma faculdade (modalidade ensino à distância). Mas minha filha está aí, recém-saída do Ensino Médio, entrando numa Universidade Federal. Como minha esposa cita o pai dela:

As novas gerações devem ser uma evolução das anteriores. Nós criamos os nossos filhos para serem sempre uma versão melhor de nós mesmos.

One thought on “Nossa estratégia para entrar na universidade pelo Sisu

  1. Interessante! Pela primeira vez, entendi melhor o SISU. Depois de 15 anos, voltei à faculdade. Mas, sem ENEM. A Estácio usa a modalidade “transferência externa” para ex-alunos. Sucesso a todos nós

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